A comunidade está estabelecida ao longo da margem oeste da Lagoa da Conceição. Foi reconhecida como comunidade tradicional de pescadores artesanais pela Lei Ordinária 9633/2014, da Prefeitura Municipal de Florianópolis. Além disso, pelo acentuado valor ecológico local, a região foi incluida dentro dos limites da Unidade de Conservação chamada de ReVis Meiembipe. A comunidade da Costa da Lagoa é conhecida pela beleza cênica de suas paisagens, pela marcante cultura tradicional dos pescadores artesanais, benzedeiras e rendeiras e pelo não-convencional acesso à comunidade que se dá por meio de embarcações ou pelo caminho histórico em meio às belezas naturais da Mata Atlântica.
O Caminho histórico foi tombado pelo Decreto Municipal 247/86. O caminho, também chamado de ‘trilha’, liga a comunidade da Costa da Lagoa ao Canto dos Araças, ambos às margens da Lagoa da Conceição. Nos últimos anos, com a crescente especulação imobiliária combinada com o aumento da atividade turística e com a carência de fiscalização, o caminho histórico vem se deteriorando rapidamente.
No decorrer do Caminho Histórico da Costa da Lagoa, pode-se perceber ruinas e construções antigas, como o engenho do ponto 8 ou a famosa casa da Dona Loquinha. O percurso é dentro de uma bela mata cheia de espécies de plantas e de animais. Muitas aves podem ser vistas e/ou ouvidas como o pica-pau-de-cabeça-amarela, o Aracuã-escamoso, os tucanos (de bico verde e preto), o saí-azul, dentre outras muitas. Também encontramos o macaco-prego que é um primata de porte médio, muito inteligente, cujo aumento populacional tem afetado negativamente os grupos humanos do entorno. Mais raramente, podem ser vistos graxains, capivaras, pacas, gambás-de-orelha-preta e os tamanduás-mirim. Existem também outros animais vertebrados bonitinhos como os lagartos teiú e diversas serpentes.
A ideia de mapear as árvores frutiferas surgiu de uma conversa com o amigo Euler Erse sobre sustentabilidade e segurança alimentar. Durante um brain storming surgiu uma pergunta fundamental que foi moldando a ideia conforme avançávamos no exercício da dialética. A pergunta primeira foi “quais as árvores frutíferas que alimentam o homem existem na região da Costa da Lagoa?”. Fizemos uma lista de espécies que já vimos aqui ou que sabíamos que existiam na região. Então, nos propomos a fazer um levantamento das espécies para termos certeza de quais e quantas eram. Para aumentar a resolução e qualidade da informação, resolvemos georreferenciar e depois mapear os dados.
A partir daí, pensamos na importância deste levantamento e percebemos que ele poderia servir de justificativa para a conservação da natureza na região. Este tipo de informação ainda é útil para grupos de coletores de sementes, estudantes, gestores ambientais e poderia ser base para monitoramento da biodiversidade e para recuperação de áreas degradadas. Além disso, torna disponível à população informações sobre os frutos que existem na região. Este projeto ainda está alinhado com o ODS 2 (i.e. fome zero e agricultura sustentável) e o ODS 15 (i.e. vida terrestre).
Realizamos uma primeira saída de campo que durou uma manhã inteira. Partimos do portal no início do Caminho Histórico e fomos até a entrada do trapiche do ponto 7. Localizamos e pegamos as coordenadas de todas as árvores frutíferas que encontramos ao longo do caminho. Anotamos também o nome popular das espécies e a fase ontogenética em que elas se encontravam. Foi muito divertido realizar este trabalho de campo.
Entretanto, durante o processamento dos dados, nosso querido amigo Euler voltou a fazer parte do grande ciclo inevitável da natureza. Infelizmente acabamos perdendo os dados coletados junto com o parceiro, mas as memórias daquela manhã hão de permanecer frescas pela excelente experiência junto ao saudoso Euler Erse.
Motivados pela importância do projeto resolvemos resgatar a ideia agregando mais um objetivo que é envolver a comunidade da Costa da Lagoa neste mapeamento. Com isso, será possível trocar experiências e conhecimentos, além de reforçar os laços entre os moradores, gerar consciência de coletividade e pertencimento local.
Núvem de palavras dos frutos que encontramos. O tamanho corresponde à frequência de ocorrência dos frutos.
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